História das Relações Internacionais na UFG: avanços da internacionalização e o papel estratégico da SRI

Para a compreensão dos avanços do processo de internacionalização na UFG e do papel estratégico da SRI neste contexto, é importante resgatarmos o que é compreendido como internacionalização da educação superior, o que tem passado por mudanças ao longo do tempo, e fazermos alguns resgates históricos de como a SRI foi sendo estruturada. 

Hoje a UFG entende que a internacionalização consiste em um conjunto de estratégias e ações que visa à integração de uma dimensão internacional, intercultural ou global no objetivo e na oferta da educação superior, com vistas à melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão, contribuindo, de forma relevante, para a sociedade.

De uma forma sintética, a linha do tempo da internacionalização na UFG é composta por quatro fases:uma primeira, da década de 80 até por volta de 2005, em que a internacionalização se apresentava de forma bem incipiente na pesquisa e na capacitação de alguns poucos pesquisadores. Surge em 1987 o primeiro órgão oficial da UFG - Assessoria de Assuntos Internacionais, mais voltada para o assessoramento à Reitoria e aos pesquisadores, em particular na recepção de visitantes internacionais e interação com contatos importantes que começavam, de forma institucional, a abrir as portas do exterior para a universidade. Isto iniciou no reitorado do Prof. Joel Pimentel de Ulhôa, tendo como primeira Assessora a Profa. Raquel Teixeira, professora aposentada da Faculdade de Letras. Este período incluiu os reitorados dos Profs. Ricado Bufaiçal, Ary do Espírito Santo e Profa. Milca Severino Pereira. Contribuíram também como Assessores neste período os Professores Ary da Silva (Faculdade de Filosofia), Orlando do Amaral (ex-reitor) e Adriane Teles (Faculdade de Nutrição).

Na segunda fase, de 2006 a julho de 2018, nas gestões dos Professores Edward Madureira Brasil e Orlando do Amaral, a então Coordenadoria de Assuntos Internacionais (CAI), adicionalmente ao papel de Assessoria, tem avanços importantes no fortalecimento da mobilidade acadêmica e a integração da UFG às Redes Internacionais, em particular em instituições da América Latina e de países de lingua portuguesa. Foi neste período (2007) que tivemos publicada a primeira resolução  CEPEC que regulamentava a participação de estudantes de graduação em Programa de Intercâmbio Acadêmico Internacional. Foi também neste período em que se observou um salto importante no número de países coautores nas publicações científicas da UFG, saindo de 21 países em 2006 para 82 em 2018 (Fonte: Web of Science).  Nesses 12,5 anos a CAI foi coordenada pela Profa. Ofir Bergmann da Faculdade de Letras. 

De agosto de 2018 a 2021, no terceiro mandato do reitor Prof Edward Madureira, uma terceira fase, liderada pelo Prof. Francisco Figueiredo da Faculdade de Letras, então à frente da Diretoria de Relações Internacionais (DRI), que além da assessoria à Reitoria, mobilidade acadêmica, fortalece o estímulo à ampliação da oferta de disciplinas em línguas estrangeiras, tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação e concretiza a implantação do Instituto Confucio na UFG, projeto de extrema importancia para a aproximação da UFG com a China, para futuras cooperações acadêmicas. Foi no último ano desse período que a CAPES, por meio do American Council of Education (ACE), induziu à elaboração e publicação do Plano estratégico de internacionalização da UFG.

 Em 2022, no reitorado da Profa. Angelita Pereira de Lima começa a quarta fase da agora Secretaria de Relações Internacionais (SRI), iniciada pela Profa. Lais Thomaz da Faculdade de Ciências Sociais, como secretária titular, e Profa. Rejane Ribeiro-Rotta da Faculdade de Odontologia, como secretária adjunta. O desafio deste período foi reestruturar um órgão que, embora tivesse passado por mudanças de nomes, não havia mudado a essência de sua estrutura, e que deveria se transformar em uma Secretaria com status de Pró-Reitoria. O cenário pós-pandemia trouxe novas formas de interações, em que a Tecnologia da Informação e Comunicação teve grandes avanços, a ciência demandava mais do que nunca parcerias globais para trazer soluções de pesquisa, inovação e formação de recursos humanos para um mundo cada vez mais interconectado e interdependente.  Nos dois anos iniciais, geridos pela Profa. Lais, a diplomacia acadêmica foi fortalecida, por meio de estreitamento de laços com diversas embaixadas. Em 2024, a Professora Laís Forti Thomaz foi cedida ao Ministério de Minas e Energia (MME). 

Em Março de 2024 a Profa. Rejane Faria Ribeiro-Rotta assume como titular da pasta e a Profa. Maria Cristina Dalacorte Ferreira da Faculdade de Letras como Secretária Adjunta. As mudanças na SRI incluíram reorganização e aprimoramento dos fluxos de trabalho, processos comunicacionais com a comunidade acadêmica e com a sociedade e com as redes de parceiros nacionais e internacionais. A SRI foi então reestruturada em três diretorias (de Mobilidade; de Assessoria e Educação Linguística e a de Programas Estratégicos) e em duas coordenações (de Acordos e Redes e Administrativa), permitindo avanços significativos, agora em uma internacionalização estratégica e multidimensional da educação superior. O processo de formalização dos acordos de cooperação internacional ganhou celeridade. Foi aprovada a resolução CEPEC que regulamenta a participação de estudantes UFG e internacionais em mobilidade acadêmica internacional presencial e virtual, substituindo aquela publicada há 16 anos. 

Nos dois últimos anos desse período, investiu-se em repensar a internacionalização como um processo além de multidimensional, também acessível, no ensino, pesquisa, extensão, políticas de inclusão, gestão,  incluindo a mobilidade presencial, mas não limitando-se a ela, que é onerosa e atinge poucos. Um processo de trocas culturais que não tem um único caminho, e que a UFG já oferece inúmeras oportunidades para estudantes e servidores começarem hoje e até sem sair da UFG os seus processos de internacionalização. O Programa de Internacionalização em Casa foi lançado, reunindo em um único site um menu de oportunidades, distribuídas por perfis de estudantes e servidores, e atualizadas semestralmente, além de ações para estimular a comunidade acadêmica a buscar as experiências internacionais como forma de qualificar sua formação profissional.  

Dentre os principais destaques deste período, registrou-se outro salto no número de países com coautores nas publicações científicas da UFG, sendo mais de 130 países em 2025. E ainda:

  • Firmaram-se acordos com instituições dos 5 continentes, incluindo com 3 agências da ONU: OMS-OPAS, PNUD e UNESCO; 
  • Aprimoramento da diplomacia acadêmica com destaque para missões estratégicas, especialmente à China, com avanços em áreas como agricultura familiar, enfermagem e até a prospecção de equipamentos para estruturação de um Centro de Cirurgia Robótica para o SUS na UFG. Destaque para os acordos com a Universidade Agrícola da China (CAU), Universidade de Medicina Chinesa de Hebei e a Universidade de Tecnologia de Guangdong.  Aproximação com outros países do BRICS, incluindo acordos bilaterais e a inclusão da UFG como membro da Rede de Universidades dos BRICs - BRICS Network Universities (BRICS-NU);
  • Fortalecimento das políticas linguísticas, e ações em parceria com embaixadas da França, Espanha e EUA e da Rede ANDIFES Idiomas sem Fronteiras (IsF);
  • Gestão compartilhada com a PRPG dos processos de internacionalização na pós-graduação, com revisão e atualização de normativas para incentivar experiências internacionais OUT e IN. Além de colaboração protagonista em conjunto com a PRPG na elaboração de projetos institucionais junto a CAPES - CAPES-Global e BRICS NU;
  • Avanços importantes também foram estabelecidos na graduação, incluindo elementos na revisão do Regulamento Geral de cursos, que está em discusão na Câmara de Graduação, com vistas não apenas a incentivar a participação em experiências internacionais, mas para viabilizar mais cursos com múltipla diplomação; 
  • Introdução de ações multiculturais no International Day e no Conpeex, envolvendo a comunidade acadêmica internacional de discentes, docentes e visitantes; 
  • Criação do 1º Prêmio de Melhores Práticas de internacionalização voltado para servidores;
  • Desenvolvimento de indicadores de internacionalização específicos para a UFG, alinhados às diretrizes nacionais e internacionais, para auxílio da tomada de decisão da gestão superior;
  • Reformulamos do Plano de Internacionalização da UFG em 2025;
  • Estabelecimento de parcerias com os Ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate a Fome e o MERCOSUL para projetos de impacto social, como o mapeamento de políticas e desenvolvimento de indicadores para agricultura familiar na América Latina.

O período 2022-2025 foi de consolidação  da internacionalização como indicador tangível da excelência e da inserção global da UFG.